Apresentação

procurando Verdades para hoje
    fugindo das Certezas de ontem
- cabeça pesada; veja lá Longe:
    o que esconde este Horizonte?


Rodrigo Gonzatto

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Atrase ou Adiante

    nem mais, nem menos
o tempo que temos:
            este instante


Rodrigo Gonzatto

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Não entendo

Não entendo.
Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender.
Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras.
Sinto que sou muito mais completa quando não entendo.
Não entender, do modo como falo, é um dom.
Não entender, mas não como um simples de espírito.
O bom é ser inteligente e não entender.
É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida.
É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice.
Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco.
Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.


Clarice Linspector

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Lembrança

passado
pegando
pesado.


Gabii

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Elevar

Me desarme com um sorriso
                     vem, me faz calar.

Só não mostre o paraíso
                  se não pode me levar...


Rodrigo Gonzatto

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Realidade Fantástica

o dia
  começa com
o dia


Rodrigo Gonzatto

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Surpresa

no verso
  de uma folha
um verso


Rodrigo Gonzatto

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Não-negação

Ad mira e Devo ra.

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Sem budismo

        Poema que é bom
acaba zero a zero.
        Acaba com.
Não como eu quero.
        Começa sem.
Com, digamos, certo verso,
        veneno de letra,
bolero. Ou menos.
        Tira daqui, bota dali,
um lugar, não caminho.
        Prossegue de si.
Seguro morreu de velho,
        e sozinho.


Paulo Leminski

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obsessão

hoje

só quis
pensar em você

só fiz
pensar em você

só bis
pensar em você
pensar em você


Raul Pough

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distração

noite inclinada
o carro de bombeiros

passa

luzes piscam azuis
vibra sirene acústico

cor ação

da janela: chama
distância fumaça?

a caso

trago-me lembrança
no aceso eixo do cigarro


Giuliano Quase

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Você, aí

Vem agora e me olha com fome.

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(45) 5756-8188

aquele teu amigo poeta quer te comer
e você diz que não sabe de nada
o poetinha quer te comer
e você aí dizendo que não sabe do que eu tô falando

você acha que é só poesia
mas a verdade
é que o poeta está querendo algo mais

aquele poeta quer te comer

mas se ele não quiser,
tá aqui meu telefone.


Rodrigo Gonzatto

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na-na-ni-na-não

beijar, eu quis
você não deixou, mas
querer, eu kiss


Raul Pough

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Um mau dia

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Sílvia Pfeiffer

Copacabana

foi transformada num super gueto de capitalismo exacerbado. Um território, paralelo à Sarney e à Teófilo Moreira, um vácuo financeiro e industrial dominado por gigantescas empresas transnacionais, gigantescas empresas armamentistas brasileiras. Copacabana está repleta de telões, passando gigantescas imagens de tudo. Os habitantes do super gueto capitalista, no meio da vertigem audiovisual, costumam concentrar seu olhar no maior telão do mundo, onde passam ininterruptas imagens da mais bela e sofisticada das manequins, a manequim número um: Silvia Pfeiffer.

E o que sentem os habitantes de um super-gueto capitalista?

De tanto ver o mundo ser transformado em imagem, de tanto ver a vida ser transformada em show de realidade patrocinada, eles já não sabem o que é, e o que não é real. Não sabem se os seus sentimentos são seus mesmos ou se são ficção de personalidade. Bombardeados pelo delírio das ficções comerciais e não comerciais, eles vivem envolvidos com mundos que só existem no desejo. Para eles, o invisível já é uma coisa muito vulgar, o transcendental já é algo tão banal, devido às excessivas fotos, vídeos, filmes, sobre a anti-matéria, sobre os espectros microscópicos, devido às excessivas imagens divulgadoras do invisível.

E quando o invisível já é uma coisa muito vulgar, quando o transcendental já é algo tão banal, que emoção espiritual resta para os habitantes de um super gueto capitalista, cujos olhos estão magnetizados pela excessiva presença de gigantescos televisores?


A ultima emoção espiritual,
é a.... fascinação.

Fascinação por imagens cada vez mais artificiais, imagens que os façam pensar em mundos não humanos, em universos paralelos. E quem são as heroínas dessa fascinação espiritual? As manequins das revistas de moda mais sofisticadas. Incorpóreas ladies, garotas de fisionomia etérea, mestras da sedução calculada. No meio da vertigem audio-visual, os habitantes de um super gueto capitalista costumam concentrar seu olhar no rosto da mais bela e sofisticada das manequins: a manequim número um.

Mundos não humanos,

universos paralelos,

fascinação espiritual,

mundos que só existem no desejo.

Sílvia Pfeiffer


Fausto Fawcett

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[os seios da sereia]

Por afrontamento do desejo
insisto na maldade de escrever
mas não sei se a deusa sobe à superfície
ou apenas me castiga com seus uivos.
Da amurada deste barco
quero tanto os seios da sereia.


Ana C.

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Poema Fotográfico (O Fotologer)

penso
fotologo
existo


Rodrigo Gonzatto

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Um bom dia

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você

per
ver
ter
-me


Diana Pilatti

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Sexta-feira

Sexta-feira à noite
Os homens acariciam o clitóris das esposas
Com dedos molhados de saliva.
O mesmo gesto com que todos os dias
Contam dinheiro, papéis, documentos
E folheiam nas revistas
A vida dos seus ídolos.
Sexta-feira à noite
Os homens penetram suas esposas
Com tédio e pênis.
O mesmo tédio com que todos os dias
Enfiam o carro na garagem
O dedo no nariz
E metem a mão no bolso
Para coçar o saco.
Sexta-feira à noite
Os homens ressonam de borco
Enquanto as mulheres no escuro
Encaram seu destino
E sonham com o príncipe encantado.


Marina Colasanti

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Brasil, mostra a tua nádega!

Brasil: terra da putaria
malícia, sexo, bunda e carnaval!
E o que mais você queria
de um país com nome de pau?


Wolf

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Resultado do Concurso Internacional de Poetrix 2008

Estava aguardando este resultado! Ele saiu, e que maravilha! Fiquei em 5º lugar no concurso internacional de Poetrix de 2008 ^^! Em 2007 já havia conseguido o 2º lugar com o poema Rio, o que me deixou muito feliz. Aqui está o poetrix:

Inscrições Abertas


licitando
atenção


Rodrigo Gonzatto

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O que faz um poema, poema

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Poesia no emissor e no receptor

Você acha que não sabe escrever poesia, e por isso não é poeta/poetisa? Só poetas entendem poesia. Quem diz isso é Paulo Leminski:

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Alguns poetrix que achei no meio do caminho


Esnobar
É exigir café fervendo
E deixar esfriar


Millôr Fernandes

Bumerangue

eu voto,
tu votas,
eles voltam


Angela Bretas

rapidinha

não traí
só dei uma
(m)olhadinha


Marilda Confortin

Doa-se

coração adestrado
com pedigree, vacinado
só não obedece ao dono


Lilian Maial

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